Benefícios dos Minerais Orgânicos na nutrição de Ruminantes

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O que são minerais orgânicos?

Os minerais orgânicos são combinações de um ou mais minerais com substâncias orgânicas, como por exemplo, um ou mais aminoácidos, carboidratos ou até mesmo proteína (Zanetti, 1999). 

Os minerais orgânicos passam por processos biossintéticos, formando íons metálicos quelatados (ou quelatos). Uma das vantagens dos minerais orgânicos quelatados é que estes também podem ser absorvidos de forma eficiente pelos carreadores intestinais de aminoácidos e peptídeos, reduzindo a competição pelos mesmos transportadores dos diferentes íons metal. Isso aumenta a biodisponibilidade dos quelatos quando comparados aos minerais inorgânicos, resultando em uma maior retenção no e utilização pelo organismo. Além disso, a maior disponibilidade leva a uma redução na inclusão de alguns minerais, o que irá reduzir a excreção dos mesmos nas fezes e, dessa forma, minimizando o efeito poluidor dos metais ao meio ambiente.

No caso de ruminantes, o uso de minerais orgânicos tem como objetivo reduzir a interação com os outros minerais no rúmen aumentando, consequentemente, a absorção no intestino, levando a uma melhora no desempenho dos animais quando somente suplementados com fontes inorgânicas de minerais.

Modo de ação 

O modo de ação e os benefícios dos minerais quelatados na nutrição animal têm sido amplamente estudados. Além disso, o entendimento dessas moléculas e como elas se comportam nos diferentes meios do trato gastrointestinal dos animais, leva a processos de produção cada vez mais eficazes. 

Por exemplo, para que os quelatos exerçam sua função na nutrição de ruminantes, é necessário que estes sejam estáveis no microambiente ruminal e no abomaso, para chegarem de forma íntegra ao intestino delgado. Caso haja a metabolização dos minerais no rúmen, sua absorção será drasticamente reduzida, com sua incorporação à proteína bacteriana. Assim, a ligação desses minerais a uma molécula orgânica tem a finalidade de garantir a sua absorção, sem entrar no processo que todos os ingredientes inorgânicos (sulfatos, óxidos) sofrem no seu metabolismo.

A proposta de fornecer minerais ligados a moléculas orgânicas tem a premissa de reduzir a interação com outros minerais no rúmen, formando complexos insolúveis e reduzindo a absorção ruminal, sem reduzir a absorção intestinal (Spears, 1996). Quando ligados a uma molécula orgânica, como os aminoácidos, esses minerais usam as vias de absorção dessas moléculas, fazendo com que não tenham problemas de interações com outros minerais e não sejam metabolizados pelas bactérias ruminais. A meta é obter uma fonte mineral de baixa capacidade de interação no rúmen, porém com alta taxa de absorção. Esta característica foi definida como “solubilidade estável” (Ward & Spears, 1993).

BCH Solutions – BCH Ruminantes

O BCH Ruminantes é um Blend de glicinatos de zinco, cobre e manganês + selênio orgânico, que visa dar suporte a diversas funções no organismo dos bovinos de corte e de leite. Pode ser utilizado em todas as fases de produção e são fundamentais em momentos de alto desafio como por exemplo na prevenção ou recuperação de diversas enfermidades em vacas periparturientes (Sordilo e Aitken, 2009; Sordillo & Rapahel, 2013, Van Emon et al, 2020) , em animais de reprodução ou em momentos de rápido desenvolvimento da musculatura e da estrutura óssea.

Zinco (Zn): possui função relacionada em sistemas enzimáticos envolvidos com o metabolismo dos ácidos nucleicos, síntese de proteínas e metabolismo de carboidratos. Em tecidos com rápido crescimento, a deficiência de zinco reduz a síntese de DNA e RNA impedindo a divisão e o crescimento celular. 

O zinco participa na produção, armazenagem e secreção de hormônios, bem como ativador de receptores e resposta de órgãos. Entre os principais efeitos do zinco na produção e secreção de hormônios estão relacionados com a testosterona, insulina e corticoides da adrenal (McDowell, 1992). É constituinte da anidrase carbônica, atuando no equilíbrio ácido-base. A absorção do zinco pode ser afetada pela interação exercida por outros elementos como cálcio, cobre e ferro. Porém, a sua absorção pode ser favorecida pelo magnésio, fosfatos e vitamina D (McDowell, 1992). 

Cobre (Cu): é componente de várias enzimas, como a citocromo oxidase, necessária para o transporte de elétrons durante a respiração aeróbica; lisil-oxidase (LOX) que catalisa a formação do colágeno e elastina; ceruloplasmina, que é essencial para absorção e transporte de ferro necessário para a síntese de hemoglobina; superóxido dismutase que protege as células dos efeitos tóxicos no metabolismo do oxigênio (NRC, 2001). É parte da citocromo-oxidase, enzima oxidase terminal na cadeia respiratória, que catalisa a redução de O2 para água, passo essencial na respiração celular (McDowell, 1992). A mais importante deficiência de origem mineral depois do fósforo, talvez seja a de Cu. O desenvolvimento da deficiência desse elemento depende tanto da sua concentração na dieta como das concentrações dos antagonistas que interferem com a absorção e a subsequente utilização para os processos metabólicos (Vasquez et al., 2001). Com a deficiência de Cu ocorre uma falha na formação de colágeno, onde atua a enzima lisil-oxidase, que contém cobre. Essa enzima permite a ligação cruzada entre fibras colágenas, onde essa ligação confere rigidez estrutural e elasticidade (McDowell, 1992). 

Manganês (Mn): é um elemento mineral essencial para os bovinos ativando ou se integrando às metaloenzimas que participam do metabolismo de proteínas carboidratos e lipídeos. Além disso, o Mn atua na coagulação sanguínea, desenvolvimento das cartilagens e proteção das células contra danos causados pelos radicais livres.

O Mn participa diretamente da síntese de colesterol, aumentando-a ou reduzindo-a proporcionalmente as suas concentrações na dieta. O colesterol desempenha várias funções importantes na reprodução animal, pois é parte integrante da membrana plasmática dos espermatozoides e precursor do hormônio sexual testosterona, envolvido respectivamente na manutenção e estímulo de produção espermática. O desenvolvimento testicular de touros também é dependente da concentração sanguínea de testosterona. Animais com concentração sanguínea elevada desse hormônio têm maior desenvolvimento testicular devido ao aumento do número de células germinativas, volume das células de Sertoli e comprimento dos túbulos seminíferos. A concentração sanguínea de testosterona está correlacionada também com a fertilidade dos touros, pois existe uma correlação positiva entre esse hormônio e a concentração, motilidade e minimização de defeitos totais dos espermatozoides.  

Selênio (Se): micronutriente essencial presente nos tecidos do corpo, é importante para a defesa imune por ser o componente vital da enzima glutationa peroxidase, que é essencial para proteção das células e tecidos (Sordillo, 1997). Essa enzima atua no citosol celular convertendo peróxido de hidrogênio (composto tóxico) em H2O + O2 (Combs & Combs, 1986).

Outra função importante do selênio é na produção de hormônios da tireoide, onde este é componente da enzima iodotironinas desiodases tipo I, responsável pela conversão de T4 em T3, que é a forma fisiologicamente ativa (McDonald et al., 2002).

Junto com a vitamina E, o selênio tem função protetora antioxidante das membranas plasmáticas contra a ação tóxica dos peróxidos lipídicos. Suas interações se exemplificam pelos casos em que a vitamina E reduz a necessidade de selênio e vice-versa (González & Silva, 2003).

Vantagens dos minerais orgânicos em relação aos inorgânicos

  • Maior biodisponibilidade, resultando em maior retenção do mineral no organismo; 
  • São compostos minerais mais estáveis, menos vulneráveis às interações minerais adversas trato gastrintestinal; 
  • Podem garantir a suplementação de microelementos com dosagens inferiores às normalmente utilizados com os ingredientes inorgânicos, reduzindo os requisitos do nutriente para os animais; 
  • Menor excreção para o meio ambiente, reduzindo os riscos de contaminação.
  • Possuem ótima qualidade de mistura, em razão da baixa formação de pó.
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